sábado, 21 de junho de 2008

Cativar... Um exercício de sempre.


Sou professora do meu CMEI deste 2006, sempre lá, no mesmo. Convivendo e vendo crescer as minhas crianças, contribuindo e vibrando com suas descobertas e aquisições, fazendo parte da vida delas e elas da minha.
E de repente, depois de uma grande mudança, a tão sonhada redução de carga horária de trabalho, hoje sou professora de um só turno do "meu" CMEI (Prometo contar detalhes desta história em outro momento).
Com as tardes ociosas e a grana diminuída, decidi voltar a trabalhar à tarde, numa configuração menos extenuante e mais prazerosa. Estou no novo CMEI há quatro semanas e me vejo num processo conhecido, mas pouco exercitada nos últimos tempos. O processo de cativação de uma turma... Voltei a ser uma professora novata, numa escola que nenhuma criança me conhece. E o dia-a-dia tem me mostrado que eu amo viver esse processo-desafio, gosto de perceber os avanços na relação de afetividade e confiança que vou construindo a cada dia. Um sorriso novo, um toque novo, um olhar autorizador, uma palavra de aprovação... Tudo me anima, tudo é elemento para avaliar se tenho agradado ou não. Tudo é conquista, de um processo de não deve terminar nunca.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

FAZER MURAL???





PULA FOGUEIRA IÁ, IÁ


PULA FOGUEIRA IÓ, IÓ


CUIDADO PARA NÃO SE QUEIMAR


OLHA QUE A FOGUEIRA JÁ QUEIMOU O MEU AMOR!



(Antes de mais nada, cadê a Merinha?)


Tudo bem, como ainda não estabelecemos regras para postagens, vou indo postando e comentando, esperando-a...

Hoje aconteceu o que já esperava! Fazer mural!


O Jogo Teatral com o Grupo 5
Se aquecendo na Fogueira...
Assamos milhos também!

Sexta agora é nossa Festa do Interior, e nestes dias estou trabalhando o faz-de-conta e o jogo dramático e tetral com esta temática... utilizando alguns adereços como chapéu de palha e uma fogueira que fizemos juntos... no nosso CMEI já não existe mais a Quadrilha (alguns alegam que ela tem fins religiosos - mas na verdade ela nada mais é que as comemorações pelas colheitas, bem profana!)
Sala preparada para o faz-de-conta!
O caminho da roça!




Mas fazer o mural foi inevitável, mas amigável... foi um pedido da pedagoga, e eu as professoras de Educação Física nos entregamos a isto! Ah e nem doeu! Mas eu prefiro que a escola seja enfeitada com produções das crianças!!!!




Explorando o faz-de-conta (Grupo 2)
Soprando a fogueira!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Faz-de-conta!

1, 2, 3 Indiozinhos!
4, 5, 6 Indiozinhos!
7, 8, 9 Indiozinhos!
10 no pequeno bote!
Ia navegando pelo rio abaixo,
Quando o Jacaré se aproximou!
E o pequeno bote dos indiozinhos quase, quase virou!

Estou estas semanas trabalhando com o Berçario 1 e 2 com esta Música (confesso que meu maior desafio são estes dois grupos!)... esta temática está contextualizada com a Festa da Cultura do CMEI, que este ano tem como temática o Índio e o Negro... e estes grupos trabalham com o Índio. Desenvolvo com eles o faz-de-conta, o jogo simbólico e as fantasias e adereços integram este processo de entendimento da cultura indígena, claro com uma dose de lirismo, teatralidade e poesia!
Acredito que devemos nos integrar as festas, festivais, comemorações etc que fazem parte do Calendário do CMEI, contextualizando as atividades que desenvolvemos com com as temáticas propostas. Não devemos nos restringir a produtores de coreografias ou pecinhas, despejadas na criança sem que isto seja de fato concreto e interessante para ela.

domingo, 15 de junho de 2008

Mudanças...


Seguindo os Novos Olhares, estou há quase 3 meses no CMEI... eu sempre digo, eu não estou professor, eu SOU professor, e escolhi a linguagem teatral para trabalhar dentro do contexto da Arte-Educação (apesar de ter tirado meu DRT de ator profissional, pensar em alguns projetos na área de interpretação, mas neste momento SER um professor não me completa, mas me satisfaz!).

Em um breve histórico, em 1971 a formação do professor de Arte ainda era generalista, ou seja, aquele que precisa conhecer e trabalhar com todas as linguagens artísticas no contexto educacional, em resumo um LOUCO. A arte era trabalhada de forma descontexualizada, apenas como uma atividade de "lazer".

Sabemos que desde 1996, a Arte assume outro papel, como disciplina do currículo escolar, com um papel no desenvolvimento integral do sujeito... há agora as formações específicas na área de Artes (Artes Visuais, Música, Dança, Teatro e recentemente o Cinema). É aí que eu me encaixo... e é aí que meu trabalho se direciona.

Afinal, sabemos que qualquer professor, em qualquer contexto utiliza a linguagem artística como um recurso didático, e a linguagem teatral é inegavelmente unanimidade - e podemos fazer neste ponto inúmeras interfaces com a Educação Física mais especificamente, que no contexto da Educação Infantil seguem caminhos paralelos e complementares no brincar, aprender, ensinar, cuidar, educar.

No meu caso, sou professor de Teatro, a linguagem teatral é que guia o meu fazer artístico, e meu processo de cuidar, educar, aprender, ensinar, brincar (inseparavelmente, e sem hierarquias).

Quando entrei no CMEI me deparei com algo muito específico na área de Arte, o "domínio" das Artes Visuais... a sala era povoada de papéis, papéis, tintas, papéis, tintas, papéis... imóveis!

Estou propondo mudanças, que foram indicustivelmente bem aceitas dentro do CMEI e do corpo pedagógico.

Sou guiado pelo fazer teatral neste processo de ensino... mas não me desvinculo das demais linguagens artísticas, utilizo as Artes Visuais como forma de registro das atividades corporais, móveis, concretas; utilizo a Arte Musical como modelos de ação para desenvolvimento do fazer teatral através das Cantigas (acredito que muitos professores de Artes Visuais ou Música fazem isso com o Teatro, utilizando-o nos fantoches, nas dramatizações, nos jogos - e aqui é inegável também a presença do professor de Educação Física).

Acredito neste papel da linguagem teatral como método de ensino para demais profissionais... mas defendo e contesto o papel do Teatro como "disciplina" do currículo escolar... (sem muitas discussões a respeito do termo disciplina!)... e seu papel fundamental no contexto da Educação Infantil, onde o faz-de-conta, o jogo simbólico, o jogo dramático e o jogo teatral (elementos para o desenvolvimento da linguagem teatral) são inerentes as especificidades da criança! Potencializar estes elementos é que guia o trabalho do professor de Teatro na Educação Infantil. E não construir "teatrinhos" para serem apresentados nas festas da Escola, produzindo miquinhos de circo traumatizados.

Estamos respirando Arte Contemporânea, e não podemos guiá-la na Educação Infantil apenas pintando Coelinhos e Papel Noel!

Chega de achar que a criança é tapada (nos dois sentidos)...

Elas são abertas a estas mudanças e é isto que elas querem!

Até... amanhã quero quebrar a perna, CMEIando mais, mais, mais, mais mudanças. Afinal crianças não são de papel!
(Para constar, este é Mateus, 1 ano e 1 mês, berçário, um menino tímido como eu, acanhado como eu e que encontra nos elementos teatrais sua forma de se expressar! Ele está com Tuqui, um fantoche Tucano que ganhou vida nas suas pequenas mãos!)

Misencene superada! Cheguei!

Convite aceito, desafio lançado! Mas confesso que esta não é uma das formas que mais gosto de me expressar.

Segunda confissão, vindo da Merinha é inegável que as palavras criam "UM NOVO OLHAR" (talvez tentando aqui fazer referências ao meu processo de inclusão enquanto Professor "Dinamizador" de Artes na Prefeitura de Vitória, que Merinha começou a esboçar).

E terceira confissão, deixa para ela explicar o Dinamizador das aspas!

Sério que vou ter que contar como cheguei?????

Acho que vou tentar fazer de outra forma, amenizando esta peleja?Mas era só tentativa?

Vou fazer um processo inverso, o estar lá dentro vendo o aqui fora?

Bom prefiro deixar a "dupla formação" de lado, e me restringuir a minha "última" escolha, fazer a faculdade de Artes Cênicas (mesmo achando que modestiamente tenho grandes contribuições a dar, olhando por este lado) . E esquecer um pouco os 4 anos vividos lá na UFES no curso de Educação Física, porque confesso que uma das melhores coisas de ter passado por lá é ter conhecido, conquistado e cultivado a minha amizade com a Meri (rival assumida da Nêga do Samba), e sentindo aflorar em mim o que eu realmente queria profissionalmente, fazer Artes Cênicas.

A ida para Ouro Preto, para estudar e aí realmente estar na Universidade foi desafiante, mas, a quarta confissão, voltar para Vitória e me inserir no "mercado de trabalho" foi ainda mais complicado.

O primeiro momento, o Concurso Público para Professor Dinamizador de Artes e Educação Física na Educação Infantil da PMV, epa uma porta aberta! Negativo, ela estava meio aberta! O Edital restringia os pré-requisitos para Professor de Artes aos Licenciados em Artes Visuais e Música, o que não era o meu caso. Sou Licenciado em Artes Cênicas. E aí? Deixa para lá! Nunca foi meu forte deixar para lá o que acredito estar com um ar de ilegalidade e injustiça. Corri atrás dos meus direitos e juntando todas as leis, pareceres, diretrizes e parâmetros era e é iquestionável que Professor de Artes pode ter habilitação em qualquer linguagem artística, desde que seja licenciado, o que é meu caso (isto a própria lei do Magistério de Vitória diz! Eis aí as contradições).

No fim das contas, advogado, juíz, liminar, processo, etc, hoje sou Professor Dinamizador de Artes da Prefeitura de Vitória. Por DIREITO!

E de fato, prefiro neste momento relatar o que vivo lá dentro! Pois quem está de fora, escrevendo Editais, fazendo Enquadramentos pode ter certeza NÃO TEM NEM IDÉIA DA GRANDE IMPORTÂNCIA DA LINGUAGEM TEATRAL NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO INFANTIL.

Temos muito o que contribuir, e as cortinas estão abertas para os aplausos!

Afinal esta misencene já cansou! Chega destes cacos da realidade. Outras coisas mais importantes temos para CMEIar!